sábado, 26 de setembro de 2009
Cotidiano [2]
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Conversa com deus [5]
- Oi, Deus.
- Não vi você chegando, MEU filho.
- Não vejo grau de parentesco.
- Eu sou possessivo.
- Achei que tinha megalomania.
- Eu sou o homem mais possessivo do mundo!
- Homem?
- Deus. Mas é que não faria sentido falar no deus mais possessivo de todos.
- Nem Alá?
- Ele dá 72 virgens.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Covinhas
- No aniversário de Carlos?
- É. Você estava sentado e ele te chamou para te apresentar a mim, e, quando você virou a cabeça para cima, sei lá, teu cabelo “coisou” bem rápido.
- Então você gostou disso?
- Acho que sim.
- É algum tipo de charme. Vou acrescentar à lista.
- Não seja convencido.
- Calma, linda. Foi você quem falou.
- Linda, é? Continue.
- Foi assim que eu te ganhei?
- E desde quando você acha que me ganhou?
- Desde ontem à noite.
- Não conta. Eu tinha bebido.
- Bebeu porque quis.
- Se lembro direito, você me pagou seis doses e outras coisas.
- Mas foi porque você me ganhou.
- Nem tínhamos conversado direito.
- É que tem essa cova.
- Como?
- Você. Essa cova. Aí. É, aí, no cantinho da boca. Dos dois lados.
- Que tem?
- É muito charmoso.
- Você acha?
- Demais. É bonito e charmoso.
- Hmm.
- Instigante.
- Mesmo?
- Claro. Aceita um drink?
- Por favor.
- Aqui. Bom... Você, por acaso... Não teria mais nenhuma, né?
- Nenhuma o quê?
- Cova.
- Fale no diminutivo. Soa menos mal.
- Covinha?
- É.
- Que seja. Você não teria nenhuma, né?
- Fora essa?
- Sim.
- Talvez.
- Posso ver? Antes, quer aceita outra dose?
- Quero sim. E eu não falei que tenho. Só que talvez tenha.
- Onde?
- A covinha?
- A cova. Onde fica?
- Outra dose e eu mostro.
- Onde? Nas costas?
- No banheiro.
domingo, 2 de agosto de 2009
Sétimo dia
Mentiu quem disse que o sábado era o sétimo dia e foi tolo quem acreditou. Alguém precisava, afinal, justificar o fato de um primeiro dia se chamar “segunda”. Ou podem ser culpadas por isso as trevas de um espírito preso. O domingo costuma ser um dia essencialmente contemplativo. Esse dia fatídico, que não parece se diferir de outro qualquer além do fato de preceder um dia de trabalho e não ser, a priori, um dia para labutar, está cercado de certa mística impossível de desvendar. Nesse dia, os espíritos livres, as almas de papel e os cérebros de esponja estão perturbados ou constrangidos por força indescritível. E isso vem de muito longe. No sétimo dia, um domingo não diferente do de hoje, deus, depois de desistir de uma pedra grande demais, sentou sobre um banco em frente ao mar. Abriu os olhos e contemplou o mundo, a absorvê-lo na mais magnânima e sinestésica apreciação estética. E então chorou: havia criado um mundo que unia, sem paradoxos, uma contradição: beleza e dor. E o que fizera não tinha mais como desfazer.
terça-feira, 28 de julho de 2009
Pontos de vista
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Moedinhas


Um centavo custava 9 centavos? Cinco centavos custavam 12? Tinha algum erro de cálculo sim. E essas moedas circulavam. Trabalhando no comércio, já vi de 1 centavo circulando por aí. Comecei a trabalhar e fui percebendo que as lojas, especialmente o supermercado onde eu trabalhava, sempre fazia anúncios de promoções que terminavam com 99, e às vezes, 95 centavos. Os clientes compravam muita coisa e nem reparavam na nota da feira. Tomavam 5,99 por 6,00. Eu também já acreditei nisso. Os clientes não fazem questão desse 1 centavo; esse dinheiro também não é da loja, não consta no preço. Preferi achar que cada centavo adquirido desse modo era uma bonificação pelo meu trabalho. De fato, fui eleito funcionário do mês desde que comecei a trabalhar aqui. Minha teoria funcionava bem. Os clientes não ligavam se eu fechava a conta com os centavos arrendondados para mais; se eu dizia não ter troco. Só queriam sair dali e entupir as artérias. Eu pensava mais à frente. Nas transações a cartão, para "simplificar", eu também arredondava o cálculo. Um centavo pode não parecer muito; mas 10 centavos já compram um chiclete. A cada 100 transações eu tenho um real. Mil transações, 10 reais. A dedução é lógica: a cada cem mil vendas, mil reais voltavam para mim!
Comecei a juntar meu dinheiro, e passei a perceber o quanto eu deixava de economizar com centavos nas compras que eu fazia. A solução não tardou a vir: andava com moedas de todos os tamanhos nos bolsos, o tilintar suave de cada uma delas me fazia reconhecer o valor e o ano. Tornou-se, de longe, minha marca registrada. E já estava juntando valores que superavam meu salário em muitas vezes.
Promovi essas mudanças significativas na minha vida. Aos poucos, vou juntando. Quando obtiver meu primeiro milhão, vou chamar a imprensa e sair no Jornal Nacional. O Banco Central vai ligar querendo me contratar. Mas isso é o de menos. Meu grande plano começa aqui. Como ficarei nacionalmente conhecido, serei chamado para dar palestras em bancos, demais empresas, encontros, seminários, congressos. Exporei minha idéia inovadora e virarei fenômeno, provavelmente "o Imperador das Moedas", decerto como a mídia sensasionalista haverá de me chamar. Em seguida, escreverei um livro, cujo título já até escolhi: "Lidando Com Um Trilhão De Moedas". Eu vou aparecer na capa sentado num trono de moedas. O livro virará best-seller internacional e rapidamente receberei convites para palestras internacionais.
A essa altura, já terei juntado alguns bons milhões. Eu, então, fundarei uma empresa realmente grande. Todos os produtos que ela oferecer poderão ser adquiridos pela bagatela de um valor dois centavos abaixo de toda a concorrência. R$10,98, R$20,98, R$100,98... Será lucro dobrado. Aí é que eu vou ser rico de fato.
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Paradoxo do bom sono
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Claustrofobia

sábado, 29 de novembro de 2008
Nirvana

sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Aviãozinho
Ainda pequeno, lembro que era fastioso.
- Alberto, você não vai almoçar?
- Não quero!
- Coma, meu filho. Seu prato já está feito.
- Mas eu não quero!
- Então abre a boca, lá vai o aviãozinho...
Foi aí que eu comecei a pensar num.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Erro


segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Lógica circular
- Então, Deus, eu realmenta não sabia que você fazia tricô.
- Sabia sim. Eu contei como segredo pra você quando você tinha 3 anos. Ademais, toda a eternidade sem muita coisa pra fazer...
- Então o verbo certo era "lembrar".
- Não. O verbo era o princípio, e o princípio era Eu; logo, "Eu Deus, Tu Deus, Ele...".
- Mas, até onde sei, você nem existe.
- É pra isso que eu sou onisciente e você não.
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
War
Em meio a uma trincheira, dois soldados jovens corriam. Ramirez e Olsen eram os seus nomes. Explosões arremessavam fragmentos em todas as direções, por vezes a poucos centímetros dos seus rostos. O espaço acima da fenda onde estavam tremulava, com um enxame de projetéis deslocando-se para levar sua mensagem de morte.
Uma granada explodiu perto dos dois, que saíram rolando. Olsen estava sangrando na perna, algo grave. Os dois se olharam, então, Ramirez perguntou:
- Olsen, por que estamos lutando mesmo?
- Sei lá.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
A busca

quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Alguma vez na Rússia

quarta-feira, 27 de agosto de 2008
A vida do homem-carrinho

terça-feira, 19 de agosto de 2008
Scattered
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Pedaços
- Boa noite.
- Boa, seu policial.
- Esse carro é seu?
- É sim, senhor.
O policial iluminou o espaço atrás, que era coberto com alguns mantos igualmente velhos.
- Tá transportando o quê?
- É fruta.
- Fruta? Uma hora dessas?
Fez que iria investigar para testar o homem, que prontamente se mostrou contrário e nervoso.
- Qu'é que o senhor vai fazer?
- Vou abrir a porta de trás do carro.
Ele saiu do carro. Encarou o policial. Pôs as mãos no bolso. Tentou impedir que a porta de trás fosse aberta posicionando seu corpo em frente ao trinco enquanto conversava. O guarda o afastou e abriu a porta.
- Encoste as mãos no carro e não se mova.
Foi levemente retirando os panos. Retirou o primeiro trapo devagar. Uma caixa de isopor velha. Abriu-a. Surpreendeu-se ao achar nada mais que morangos. Morangos? Recolocou no lugar a caixa. Puxou outro dos panos a esconder o volume. Uma caixa de madeira mal fechada. Abriu-a. Já não tão surpreso, encontrou bananas. Outro pano; outra caixa: laranjas. Pano; caixa: maçãs. O homem ria. Puxou rapidamente um pano e retirou mais uma caixa, arremessando-a, irritado, para fora do carro. Foi verificar o conteúdo. Acerolas, que fez questão de pisotear. Droga! Nem drogas? Tirou os tapetes, arrancou parte do estofado, molas, a mala, espaços dentro do motor, a roda. Nem maconha? Nem importados ilegais? Procurou em cada canto que pôde. Até no homem. Ele ria, ria freneticamente, um riso que alternava entre agudo e grave numa composição verdeiramente incomum.
Não podia ser. Por que ele ria? Por que se recusara a cooperar se não escondia nada? Provou as frutas. Não eram frescas, mas também não aparentavam portar contaminação. Checou a documentação, a identidade, a placa; nenhum problema que poderia culpar o senhor que coçava a barba grande que reunia um histórico de várias refeições. Não era o melhor sujeito, mas não podia ser dito um sujeito errado. Deixou que o homem tirasse as mãos do carro. Alinhou-o, coluna e pescoço, e olhou com um ar da insatisfação do médico que diagnostica errado. Recuou um pouco e, com mais vontade que força, atingiu na barriga o homem, que cambaleou, e depois chutou-lhe as pernas, para que caísse.
Os outros guardas observaram à toda a cena impassíveis. O homem cuspiu sangue e, com um sorriso amarelado, acendeu um cigarro, reuniu o que havia para ser reunido daquilo que ele transportava, subiu no carro e foi embora.
O deputado Doutor Feliciano Octávio Augusto da Cunha Menezes Alves Segundo continuou sumido. Acontece que o policial era normal demais. Acontece que ninguém acredita mais no poder de essência de frutas e serras de osso. Acontece que hoje ninguém mais acredita no poder de um bom feiticeiro, cuja praticidade faz lembrar, ainda que distante, um pouco do Magaiver que reside em toda coisa inusitada de pessoas inventivas. E o homem ri até hoje lembrando da cena.
quinta-feira, 31 de julho de 2008
Cute Orc Story

The village was burning down. The Horde had succeeded. One of the Orc warriors had been watching that little girl for quite a while - maybe thirty seconds or a little less. He decides to approach, but notices a fellow of his getting closer to her.
- ====>. (I call dibs)
- URH? (Are you calling dibs?)
- ROOOOOOAR? (To kill?)
(Five, maybe six seconds later.)
- UAAAAARHHHHHHHHHH! (Shit! You killed 'er before I fucked!) **
- WROOOOOOOORRRLL! *
*Since we are sure there is no kind of apologizing in Orc idioms, we believe that was not any kind of "my bad", but some sort of expression without perfect translation and probably very offensive.
** A mistranslation is possible in the sense that he might have said "O shit! Now I gotta fuck 'er dead".
