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sábado, 31 de janeiro de 2009

Música pelo mundo



Cansado de ouvir as mesmas coisas há 20 anos? Cansados das mesmas décadas, daquele CD que nunca mudou, da voz dos Beatles ser a mesma? Venho aqui propor algo novo, a tentar agradar a pelo menos alguns estilos. Num modelo em que eu recomendo tudo e não dou link pra nada, farei várias recomendações ao mesmo tempo, seguindo o critério da localização geográfica; são as músicas do mundo pelo mundo afora. Para aqueles que arriscarem na palavra deste escritor crápula, recomendo peregrinar por comunidades no Orkut, no 4shared , em blogs mais úteis que este (há alguns no menu da direita que podem levar a vários outros), no Soulseek, Emule, Utorrent, lasf.fm, sites russo, HD do amigo esquisitão... Algumas banda trarão verdadeiro desafio na busca por sequer possuírem registro no Wikipedia, e aqueles que se dizem ecléticos devem ir atrás de tudo. No texto abaixo, o nome das bandas possui, como o '4shared' em vermelho aí em cima, um hiperlink: basta clicar e consultar mais informações.
Vamos começar nossa viagem?

Primeira parada, Rússia. Primeira recomendação, Aria. É uma banda de heavy metal russo, conhecida como o Iron Maiden russo por relembrar os sons da New Wave of British Heavy Metal, e está em atividade desde 1985. Em 2002, porém, vocal, guitarra e bateria saem da banda e fundam a Kipelov, também de heavy metal, com um som que me soa muito mais consistente e pesado. (Ver imagem abaixo, capa do cd de 2005).

Ainda na Rússia, temos Billy's band, um jazz russo relativamente novo, com influência do som local, vocais guturais, cujo único CD que consegui baixar abre com a música "No Title". Mas, não, a maior parte das músicas é cantada em russo mesmo. Vale a pena conhecer.

Saindo da Rússia, na Europa eu começo com Andreas Vollenweider, da Suíça, um músico new age. No CD Kryptos (imagem abaixo), a Concert for Harp & Orchestra já seria motivo suficiente pra conhecer a obra dele.
Há também Esperanto, um rock progressivo belgo-inglês'; Maxophone, da Itália, que lançou apenas um álbum, em 73, e Il Balleto di Bronzo , também progressivo, do mesmo país; Nektar e Focus , ambos da Alemanha - com atenção especial para Focus. Otyg , da Suécia, chama a atenção pelo que considero fidelidade ao produzir folk music e viking metal.

Na França - me deparo com a dificuldade de encontrar bons rocks franceses -, recomendaria, entretanto, Louise Attaque , que voltou a lançar cds em 2005, com À plus tard Crocodille (um trocadilho com a expressão inglesa "See ya later alligator"), a fazer um folk rock bem inusitado. Noir Désir e Les Ogres de Barback (artigo em francês) também entram na minha lista de recomendações. Nouvelle Vague para quem gosta de cinema (hehe, nevermind) e músicas agradáveis e Yann Tiersen para um avant-garde com boas perfomances de violino. (E Jane Birkin , que é meio inglesa, para músicas lentas e mais... sensuais, no seu cd de 1969 com Serge Gainsbourg).

Fechemos hoje com os Estados Unidos da América. Não que não ouçamos músicas de lá o tempo todo; quero apenas dizer que também há música boa lá. Quem nunca ouviu Morphine? A banda de formação baixo-saxofone-bateria traz sonoridades muito agradáveis; para os que se interessarem, recomendo também buscar Bourbon Princess e Twinemen. Falar de sax me lembra jazz que me lembra David Sanborn, e me faz puxar outros nomes para o estilo: The Manhattan Transfer , grupo que privilegia os coros, Ron Carter, e McCoy Tyner, um pianista que chegou a tocar com John Coltrane - recomendo buscar o cd de 1999, "... and the Latin All-Stars". Há a Hypnotic Brass Ensemble, um grupo de metais de Chicago e Pete Seeger um - pasmem - comunista americano - nada mais justo, na verdade. Ele canta músicas com a temática vermelha, tocando banjo ou violão e ativo (politicamente inclusive) desde 1940. Espero ter sido útil.

(o nome da banda é sugestivo; o álbum da imagem chama-se Orange)

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Tanto Amar

Amo tanto e de tanto amar
Acho que ela é bonita
Tem um olho sempre a boiar
E outro que agita
Tem um olho que não está
Meus olhares evita
E outro olho a me arregalar
Sua pepita

A metade do seu olhar
Tá chamando pra luta, aflita
Metade quer madrugar
Na bodeguita
Se os seus olhos eu vou cantar
Um seu olho me atura
E o outro vai desmanchar
Toda a pintura

Ela pode rodopiar e
Mudar de figura
A paloma do seu mirar
Virar miúra
É na soma do seu olhar
Que eu vou me conhecer inteiro
Se nasci pra enfrentar o mar
Ou faroleiro


(...)

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Não é?

sábado, 21 de junho de 2008

Adagio for Strings




In November 1938, conductor Arturo Toscanini led the NBC Symphony Orchestra in the premiere performance of Samuel Barber's "Adagio for Strings." The concert was broadcast from New York to a radio audience of millions across America.
Celebrated for its fragile simplicity and emotion, the "Adagio" might have seemed an odd match for Toscanini, known for his power and drama as a conductor. But according to Mortimer Frank, author of Arturo Toscanini: The NBC Years, despite the director's force and intensity, he was capable of "wonderful delicacy and tenderness and gentleness."
The year 1938 was a time of tumult. America was still recovering from the Depression and Hitler's Germany was pushing the world towards war. Toscanini himself had only recently settled in America after fleeing fascist Italy. The importance of the broadcast performance during this time is noted by Joe Horowitz, author of Understanding Toscanini: "Toscanini's concerts in New York... once he was so closely identified with the opposition to Mussolini, the opposition to Hitler — these were the peak public performances in the history of classical music in America. I don't think any concerts before or since excited such an intense emotional response, and I don't think any concerts before or since evoked such an intense sense of moral mission."
The "Adagio for Strings" was written by American composer Samuel Barber when he was in his 20s. With a tense melodic line and taut harmonies, the composition is considered by many to be the most popular of all 20th-century orchestral works.
"You never are in any doubt about what this piece is about, says music historian Barbara Heyman. "There's a kind of sadness and poetry about it. It has a melodic gesture that reaches an arch, like a big sigh... and then exhales and fades off into nothingness."




***




Barber's "Adagio for Strings" originated as the second movement in his String Quartet No. 1, Op. 11, composed in 1936. In the original it follows a violently contrasting first movement, and is succeeded by a brief reprise of this music.
In January of 1938 Barber sent the piece to Arturo Toscanini. The conductor returned the score without comment, and Barber was annoyed and avoided the conductor. Subsequently Toscanini sent word through a friend that he was planning to perform the piece and had returned it simply because he had already memorized it.[1] It was reported that Toscanini did not look at the music again until the day before the premiere. [2] The work was given its first performance in a radio broadcast by Arturo Toscanini with the NBC Symphony Orchestra on November 5, 1938 in New York.
The composer also transliterated the piece in 1967 for eight-part choir, as a setting of the Agnus Dei ("Lamb of God"). It has since become renowned as a masterwork of the modern choral repertory.




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The piece uses an arch form, employing and then inverting, expanding, and varying a stepwise ascending melody.
The long, flowing melodic line moves freely between the voices in the string choir; for example, the first section of the Adagio begins with the principal melodic cell played by first violins, but ends with its restatement by violas, transposed down a fifth. Violas continue with a variation on the melodic cell in the second section; the basses are silent for this and the next section. The expansive middle section begins with cellos playing the principal melodic cell in mezzo-soprano range; as the section builds, the string choir moves up the scale to their highest registers, culminating in a fortissimo-forte climax followed by sudden silence. A brief series of mournful chords serve as a coda to this portion of the piece, and reintroduces the bass section. The last section is a restatement of the original theme, with an inversion of the second piece of the melodic cell, played by first violins and violas in unison; the piece ends with first violins slowly restating the first five notes of the melody in alto register, holding the last note over a brief silence and a fading accompaniment.




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* The recording of the 1938 world premiere, with Arturo Toscanini conducting the NBC Orchestra, was selected in 2005 for permanent preservation in the National Recording Registry at the United States Library of Congress


* In 2004, Barber's masterpiece was voted the "saddest classical" work ever by listeners of the BBC's Today program, ahead of "Dido's Lament" from Dido and Aeneas by Henry Purcell, the "Adagietto" from Gustav Mahler's 5th symphony, Metamorphosen by Richard Strauss and Gloomy Sunday as sung by Billie Holiday.


*The piece was played at the funerals of Franklin Delano Roosevelt and Prince Rainier of Monaco. It was also performed in 2001 at a ceremony at the World Trade Center to commemorate the thousands lost there in the September 11, 2001 attacks. Adagio for Strings was also part of the program of the Last Night of the Proms that year, in contrast to the event's usual atmosphere.


* Adagio for Strings may be heard on many film, TV and video game soundtracks. Notable among these is Oliver Stone's Oscar-winning film Platoon,[5] and David Lynch's 1980 Oscar-nominated film The Elephant Man, the tragic life story of Joseph Merrick. A choral version also featured prominently in the 1999 PC Game of the Year, Homeworld, introducing Barber's seminal work to a new generation and through a new medium.










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quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Igreja ‘John Coltrane’ funciona há 25 anos em São Francisco

Saxofonista é o santo padroeiro da St. John Will-I-Am Coltrane African. Culto de domingo à tarde se divide em jam session e encontro espiritual.

Ao lado do altar da igreja na rua Fillmore, em São Francisco, há um órgão, dois contrabaixos, uma bateria e três microfones. O hinário, ou livro de músicas, encontra-se aberto em uma peça de título "Blues for Bechet". Pendurado na parede lateral, um ícone do santo padroeiro da congregação, com um halo dourado em volta da cabeça e segurando um sax tenor com um brilho emanando da campana.

Sendo esta a casa do jazz e de Deus, o culto do domingo de manhã começa, na verdade, no domingo à tarde, o equivalente a madrugar para qualquer músico que fez três shows no sábado à noite. Clérigos, diáconos e coroinhas aparecem, liderados por um homem alto e magro com um sax tenor bamboleando pendurado por uma tira presa em volta da gola padre. Ele é o arcebispo Franzo Wayne King, fundador e pastor desta comunidade de fiéis, a igreja ortodoxa St. John Will-I-Am Coltrane African.

Durante as três horas seguintes, o culto se divide em jam session e encontro espiritual. A liturgia cristã tradicional, incluindo o Pai Nosso e as leituras de um evangelho e uma epístola, discorre em meio a uma série de performances intensas, quase mágicas, de composições de Coltrane. "Você é aquilo que você escuta", diz King em seu sermão. "Quando você escuta John Coltrane, você se torna um discípulo do sagrado."

A igreja de Coltrane não é um engodo publicitário nem uma mistura forçada de música de nightclub e fé etérea. Sua mensagem de libertação por meio do som divino é, na verdade, bastante coerente com a experiência e a mensagem do próprio Coltrane.

Durante uma vida criativa ao extremo e finda precocemente aos 41 anos, Coltrane produziu um conjunto de performances e composições que se mantiveram como profunda influência entre músicos e ouvintes de jazz, assim como dos entusiastas do rock experimental. Hoje, 40 anos após sua morte, ele permanece como presença consolidada no cânone da música norte-americana.

Coltrane também incorporou uma figura religiosa. Viciado em heroína na década de 50, cortou o vício de uma vez e completamente, e mais tarde explicou que havia escutado a voz de Deus durante sua angustiante fase inicial de abstenção. Em 1964, gravou o álbum "A love supreme", com canções originais de louvor em estilo free-jazz.

Estudando as religiões orientais, além do cristianismo, passou a lançar músicas religiosas mais de vanguarda em "Ascension", "Om" e "Meditations". Em 1966, um repórter no Japão perguntou a Coltrane o que ele esperava ser dali a cinco anos, ao que o músico respondeu: "Um santo."

'Jesus Cristo negro'
Assim sendo, Franzo Wayne King foi a pessoa que levou Coltrane ao pé da letra. Isso aconteceu a partir do momento em que conheceu a gravação de "My favorite things" e começou a se aprofundar e apreciar o trabalho mais antigo de Coltrane na banda de Miles Davis.

Pouco depois da morte de Coltrane, King criou uma pequena congregação chamada Yardbird Temple, em alusão ao apelido de outra fera do jazz, Charlie Parker, o Bird. Naquela altura, os fiéis cultuavam Coltrane como a encarnação terrena de Deus, ao mesmo tempo considerando Parker como um equivalente a João Batista.

Essa teologia, é claro, posicionou King e seu rebanho fora dos limites do cristianismo. Ele retornou a essa esfera no início dos anos 80, quando conheceu o arcebispo da Igreja Ortodoxa Africana, cujos adeptos cultuam um Jesus Cristo negro. King fez a concessão necessária para se tornar um membro. "Rebaixamos Coltrane do posto de Deus", diz. "Mas o acordo foi que ele poderia ficar na qualidade de santo e ser o padroeiro de nossa igreja."

É assim que a igreja St. John Will-I-Am Coltrane funciona há vinte e cinco anos. A esposa e os filhos de King participam dos cultos como "ministros musicais" e já tocaram em diversos festivais europeus de jazz. E os freqüentadores da igreja, ao longo dos anos, passaram a incluir no repertório a viúva de Coltrane, Alice Coltrane, e o guitarrista de rock que também bebeu nas fontes do jazz Carlos Santana.

Fonte:G1





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Para quem quiser baixar álbuns, vai aqui um link do blog amigo, Jazzman (http://jazzmanmp3.blogspot.com)

2001 - The Best of Miles Davis & John Coltrane: 1955-1961
1965 - Ascension
1964 - A Love Supreme
1963 - John Coltrane And Johnny Hartman
1962 - Duke Ellington & John Coltrane
1960 - Coltrane Plays the Blues
1959 - Bags and Trane
1959 - Giant Step
1958 - Lush Life - John coltrane
1957 - John Coltrane - Blue Train

Thelonious Monk Quartet with John Coltrane - At Carnegie Hall - 2005 / Recording Date: 1957


http://jazzmanmp3.blogspot.com/search/label/John%20Coltrane

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Free variation






Free variation in linguistics is the phenomenon of two (or more) sounds or forms appearing in the same environment without a change in meaning and without being considered incorrect by native speakers. Examples from English include:

• the word economics may be pronounced with /i/ or /ɛ/ in the first syllable; although individual speakers may prefer one or the other, and although one may be more common in some dialects than others, both forms are encountered within a single dialect and sometimes even within a single idiolect;

• the comparative of many disyllabic adjectives can be formed either with the word more or with the suffix -er, for example more stupid or stupider.

When phonemes are in free variation, speakers are strongly aware of the fact, and will note, for example, that tomato is pronounced differently in British and American English, or that either has two pronunciations which are fairly randomly distributed, but only a very small proportion of English words show such variations.

However, we still have the case of the allophones. In phonetics, an allophone is a phenomenon of several similar phones that belong to the same phoneme. A phone is a sound that has a definite shape as a sound wave, while a phoneme is a basic group of sounds that can distinguish words (e.g. changing one phoneme in a word can produce another word); speakers of a particular language perceive a phoneme as a single distinctive sound in that language. Thus an allophone is a phone considered as a member of one phoneme.

We may distinguish complementary allophones, which are distributed regularly within the idiolect of the same speaker according to phonetic environment, from free variants, which are a matter of personal habit or regional accent.

For example, [pʰ] as in pin and [p] as in spin are allophones for the phoneme /p/ in the English language because they occur in complementary distribution. English speakers generally treat these as the same sound, but they are different; the first is aspirated and the second is unaspirated (plain).

In the case of allophones, free variation is exceedingly common and along with differing intonation patterns is the most important single feature in the characterizing of regional accents.

When about other language acquisitions, free variation plays a quite considerable part. Free variation is itself highly variable from one learner to another. To some extent it may indicate different learning styles and communicative strategies. Learners that favor high-risk communicative strategies and have an other-directed cognitive style are more likely to show substantial free variation, as they experiment freely with different forms.

To exemplify, here it goes a song by Ella Fitzgerald and Louis Armstrong, 'Let's call the whole thing off'. Follow the lyrics.



Things have come to a pretty pass

Our romance is growing flat

For you like this and the other

While I go for this and that

Goodness knows what the end will be

Oh, I don't know where I'm at

It looks as if we two will never be one

Something must be done...


You say either and I say either

You say neither and I say neither

Either, either, a neither, a neither

Let's call the whole thing off


You like potato and I like potato

You like tomato and I like tomato

Potato, potato, tomato, tomato

Let's call the whole thing off


But, oh, if we call the whole thing off

Then we must part

And, oh, if we ever part

Then that might break my heart


So if you like pajamas and I like pyjamas

I'll wear pyjamas and give up pyjamas

For we know we need each other, so we

Better call the whole thing off

Let's call the whole thing off


You laughter and I say laughter

You say after and I say after

Laughter, laughter, after, after

Let's call the whole thing off


You like vanilla and I like vanilla

You saspirilla, and I sarsaparilla *

Vanilla, vanilla, oh, chocolate strawberry

Let's call the whole thing off


But, oh, if we call the whole thing off

Then we must part

And, oh, if we ever part

Then that might break my heart


So if you go for oyster and I go for oysters

I'll order oysters and cancel the oyster

For we know we need each other, so we

Better call the calling off off

Let's call the whole thing off


You say either - and you say either

You say neither - and you say neither

Either, either, a neither, a neither

Let's call the whole thing off


You like potato - and you like potato

You like tomato - and you like tomato

Potato, potato, tomato, tomato

Let's call the whole thing off


But, oh, if we call the whole thing off

Then we must part

And, oh, if we ever part

Then that might break my heart


So if you like pyjamas - I like pyjamas

I'll wear pyjamas - You've got pyjamas!

For we know we need each other, so we

Better call the whole thing off (the calliing off off)

Let's call the whole thing off

Let's call the whole thing off

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Eletric Funeral



Ok, ok, os fãs de jazz vão gostar dessa. Quem está pronto para morrer levanta a mão!

É, quase ninguém levantou a mão. Na verdade, só aquele cara estranho que sempre está por ali quando você menos espera. Ainda assim, fiquem todos cientes: você pode ter um funeral regado a jazz! “You cry when you are born, so REJOICE WHEN YOU DIE!” é um dos lemas do jazz funeral de New Orleans.

O “jazz funeral” começou com a fusão de duas culturas, basicamente: a européia e a africana (assim como o próprio jazz, em si). A européia contribuiu no sentido de que sempre teve o costume de fazer marchas musicadas em funerais de militares (lembrar de ouvir Chopin, Mendelssohn e Beethoven), e a prática foi transmitida aos americanos, que continuaram a praticando até depois da guerra civil. Por coincidência, nessa época houve um surto de bandas de metais que se apresentavam em uma série de coisas como paradas, festivais de dança e casamentos. Como foram se tornando populares, foram cada vez mais sendo convidadas para tocar em eventos tais como funerais.

A cultura africana, por sua vez, teve outra contribuição peculiar e talvez mais importante. Antes, preciso dizer que nas culturas do oeste africano o sistema de crenças, de modo geral, é monoteísta, e prega uma estrutura hierárquica que põe deus acima de tudo, e, em seqüência, espíritos, homens, animais e plantas. Neste sistema, a morte não representa o fim de uma vida, mas a transição para um plano de espíritos ativos que providenciará almas para as gerações seguintes, e estes espíritos teriam maior autoridade que humanos e seriam capazes de ter controle sobre os vivos. A morte seria a triunfante redenção do status espiritual e liberação do ser de sua triste situação. Logo, ritos funerais simbolizam, para eles, o clímax da vida de um indivíduo. Além disso, quando os africanos foram levados para os EUA, eles passaram a acreditar que, com sua morte, seriam levados de volta à sua terra. Aquela também passou a ser vista como libertação da escravidão e opressão.

Enquanto os franceses nos EUA saíam às ruas tocando os metais, os africanos celebravam seus deuses escondidos. Não demorou para que as duas culturas se fundissem.

Num “jazz funeral” tradicional, a banda se encontra na igreja ou casa funerária de onde cerimônia será conduzida. Depois das obrigações da cerimônia, o caixão geralmente é transportado para o cemitério por uma carruagem e cavalos enfeitados com flores, seguido diretamente pela banda, familiares e demais amigos e colegas. Ao som de músicas e hinos, a “procissão segue”. Chegado ao local de enterro, todos se despedem, o finado é enterrado, a banda conduz a procissão para fora do cemitério sem tocar. Quando alcançam uma distância respeitável do lugar, o trompetista principal sopra um riff de duas notas preparatórias. Os percursionistas, então, começam a tocar uma marcha conhecida como “segunda fileira”, que tem o nome da fileira dos que ficam, na procissão, atrás das fileiras de amigos, familiares e outros celebrantes que seguem os membros da banda, que, por sua vez, estão produzindo um som mais alegre e comemorativo. O “mestre” da cerimônia, também conhecido como “grand marshal”, dá o tom para a banda e os membros da segunda fileira, que também dançam com guarda-chuvas coloridos abertos, anunciado a notícia: “uma alma voltou para casa”.







Há uma curiosidade. Muitas vezes, turistas pela região entram na festa: "OOH! A PARADE!". Quando vêem o caixão, muitos deles pensam "que horror!", outros apontam... E eles só respodem: "calma, é assim que nós nos despedimos dos nossos músicos".


Louis Armstrong (que também recebeu um jazz funeral) comenta sobre o prório (se não sabe inglês, aperte o botão de "skip"): " And, speaking of real beautiful music, if you ever witnessed a funeral in New Orleans and they have one of those brass bands playing this funeral, you really have a bunch of musicians playing from the heart, because as they go to the cemetery they play in a funeral march, they play "Flee As a Bird," "Nearer My God Today," and they express themselves in those instruments singing those notes the same as a singer would, you know. And, they take this body to the cemetery and they put this body in the ground. While he's doin' that the snare drummer takes the handkerchief from under the drum, from under the snare, and they say "Ashes to Ashes" and put him away and everything, and the drummer rolls up the drum real loud. And, outside the cemetery they form and they start swinging "Didn't He Ramble." And, all the members, the Oddfellows, whatever lodge it is, they are on this side. And on this (other) side is a bunch of raggedy guys, you know, old hustlers and cats and Good-time Charlies and everything. Well, they right with the parade too. And, when they get to wailin' this "Didn't He Ramble," and finish, seems as though they have more fun than anybody, because they applaud for Joe Oliver, and Manny Perez, with the brass band, to play it over again, so they got to give this second line, they call it, an encore. So, that makes them have a lot of fun too, and it's really something to see.".


Diz um site tradicional sobre o jazz funeral que é para aqueles que desejam ter um é mais uma questão de estar no lugar certo na hora certa. “Esperamos ver poucos desses no futuro. Nós precisamos guardar para os Grandes que ainda estão vivos”.



Para os que ficaram curiosos, aqui um vídeo-exemplo:

Jazz Funeral de Hellen Hill

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Análise filosófico-literária de Chiclete com Banana


Quiçá o título já seja suficientemente auto-explicativo e intrigante, resolvi ser democrático e agradar a todos os gostos. Aqueles que gostam de submúsicas do subgênero que é o baiano, poderão deleitar-se com a devida interpretação de uma das letras que marcou uma geração aí que não sei qual foi. Aqueles que não............................. haverão de esperar por novos conteúdos sobre a arte. (Entendam que precisamos vender nosso peixe também, não podemos deixar este recinto abandonado às traças, por isso temos de nos utilizar, vez ou outra, de assuntos que atraiam a atenção massiva).

A música é “Moranguinho”.

Pra te espiar
Eu dou a volta no seu mundo
Eu pulo seu muro
Pra te encontrar
Eu dou a volta no seu mundo
Eu pulo seu muro
Faço o que quiser de brincadeira
Carrossel no céu, selva branca
E nascer em cada estrela a novidade
Que o muro do seu mundo era saudade
Por que não dizer? Posso derreter...
Moranguinho no copinho esperando por você
 
Quanto mais sorvete, quer o meu amor
Muito mais desejos de amor
Quanto mais desejos, quer o meu calor
Muito mais sorvete de amor

A música, como se pode nitidamente perceber, aborda um tema com que bastante convivemos hoje. É uma reflexão crítica sobre a sexualidade exacerbada e sem princípios, resultado da proposta destruidora da sociedade moderna. Há símbolos claros no texto. O morango, por exemplo, propositalmente flexionado no diminutivo para conferir impressão de proximidade e sensualidade, nada mais é que o corpo desnudo da mulher, pois é um fruto vermelho - cor que simboliza a atração física - de formas sinuosas, tal qual o corpo feminino. É seguido da expressão “no copinho” para enfatizar a frieza mecânica e até mesmo capitalista-industrial com que é tratado o relacionamento amoroso entre homem e mulher.


Em seu lado mais direto, a letra menciona uma série de fetiches sexuais, tais quais voyerism (“pra te espiar”, “eu pulo seu muro”), sadomasoquismo (“faço o que quiser de brincadeira”), bissexualismo (“e nascer em cada estrela a novidade”) - sem falar em outros como “selva branca” e “posso derreter” –, de modo a ironizar o anti-moralismo libertino da nova ordem social de aceitar a quebra de tabus e a banalização do ato sexual, mas conferindo-o ao sujeito enunciador. Em outras palavras, em busca de obter o máximo de saciedade para o ego no que diz respeito ao prazer carnal humano, aceita-se tudo até que aquele seja encontrado. Entende-se a expressão “eu dou a volta no seu mundo” como explorar o corpo do cônjuge, a exemplo, como a uma caverna, podendo ser, ainda, um eufemismo para o orgasmo.


Notável é a sonoridade do trecho: “Carrossel no céu, selva branca”. A repetição do fonema /s/, constituindo uma aliteração, simboliza claramente o conjunto sonoro de uma relação sexual. De maneira proposital, as conotações que podemos obter do trecho são puramente relativas aos movimentos sexuais e, novamente, ao orgasmo, enfatizando ainda mais o desespero do eu-lírico em busca da satisfação própria.


Como pudemos ver, o sujeito enunciador do texto vive em contradição: ao mesmo tempo em que quer saciar as vontades de seu próprio ego acima de tudo, percebe que a única forma de fazê-lo é através da relação com outro ser, do qual ele se torna dependente, colocando-o numa situação de completo entreguismo amoroso, como se percebe nos trechos em que ele explicita a necessidade de ir atrás do objeto amado (“pra te espiar...”, “pra te encontrar...”, “faço o que quiser”, “... esperando por você”).


O sorvete, por sua vez, aparece como elemento contrastante da relação sexual, vez que é frio e conota distância quando aplicado ao caso, e é jogado de forma irônica junto com o ato de desejar o calor do parceiro. É como um sadomasoquismo atuante na idéia abstrata que é o relacionamento em que se é cruel com o cônjuge e este ainda deseja estar cada vez mais próximo do outro, precisando, ironicamente, mais dele.


Ainda, o vocábulo “desejo” está disposto de modo que possa transparecer esta tendência dialética do ser humano mencionada nos parágrafos acima de querer saciar apenas a vontade própria, mas de necessitar de outro ser, explicitando mais uma das contradições do homem e do mundo moderno.


Ao final, o amor é oferecido e tratado como produto, quando posto na expressão “sorvete de amor”. Tendo em vista que as sociedades, e, cada vez mais, seus componentes, separadamente, têm se transformado em função da economia, e, como vivemos numa sociedade capitalista, do capital. Enquanto o concreto já foi transformado em produto, como, por exemplo, uma caneta, o abstrato vem sofrendo o mesmo processo ao longo dos anos, como, por exemplo, as idéias sobre uma caneta, e, na música, o próprio amor, tanto idealizado e feito-sublime pelas sociedades de muitas épocas, e até a atual, hipocritamente.


Para concluir, este trabalho musical aborda a questão da “coisificação” ou reificação em razão de satisfazer o próprio eu, mas, sem perceber a impossibilidade de tal acontecimento, o eu se põe em situação de entregar-se completamente ao ato de amar (sujeito), transformando o amado (objeto) em essencial. Aproveita para ironizar e criticar a sociedade libertina de hoje, representada pelo microcosmo em que vive o sujeito enunciador.