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terça-feira, 7 de julho de 2009

Novo papa diz: "Igreja encontrou seu caminho"

Depois da súbita morte de Bento XVI e da ascenção do novo papa, que decidiu se chamar João, o que faz delo o XXIV, muitas mudanças severas se passaram na Igreja Católica. O papa revolucionário encabeçou um programa que resolveu chamar de "O Plano da Mudança, UI", em que o "U.I." quer dizer 'Universal e Institucional", e consiste, basicamente, em mudar a estrutura da Igreja.
O papa João XXIV nasceu em 1948, em Roma, mas veio logo cedo para o Brasil com os pais, tendo se instalado em São Paulo. Quando perguntado sobre seu nascimento, o papa confessa: "eu renasci na década de 70, quando me juntei aos padres do nosso seminário e decidimos nos dar... toda a liberdade!". Eleito cardeal há alguns anos, sempre retornava ao Brasil para participar de manifestações públicas em favor dos direitos das minorias, pelos quais lutava em vários países do mundo. A imagem do então cardeal era ainda mais freqüente nas manifestações do orgulho homossexual.
Com o novo programa do Vaticano, a intenção é manter boa parte das antigas leis e tradições, mas só depois de serem revistas. Dentre as antigas tradições, ainda se proíbe aos sacerdotes o casamento. A justificativa foi reafirmada: um padre não pode ter filhos. "Sim", afirma João XXIV, "mas isso não impede que ele mantenha relações que não levarão à gravidez". Assim, fica permitida a prática homossexual entre os sacerdotes. Manifestações mundo afora foram organizadas: a notícia foi recebida com imenso louvor. Analistas confirmam que, por um lado, foi uma medida que reconheceu que havia afastamento de muitos cristãos da Igreja e visava a não só os atrair de volta, como conquistar o público homossexual de maneira geral, que agora encontra uma religião que o aceita. O papa João XXIV conclui: "antes dessa reforma, como esperavam que a gente se desse a Jesus?".

Fonte: Arial 11.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Orgia filmada por padre resulta em cooperação bilateral

O padre, que exercia suas atividades no interior do Estado da Paraíba, gravou dois vídeos em que aparecia a fornicar com um casal do seu círculo de amizade.
O menàge teria sido disponibilizado no blog pessoal do padre.


Depois de 49 minutos de exibição pornô contínua e muitas visualizações anônimas da comunidade cristã da região, interessada em averiguar a integridade moral do sa, os vídeos teriam sido retirados do site da morsa.
A arquidiocese local manifestou publicamente, ao lançar um texto num jornal que abrange todo o estado, dizendo-se embaraçada com o fato.

A questão, entretanto, atravessou fronteiras.
Fontes mais recentes* afirmam que no jogo de xadrez da política sulamericana (o Peão, a Dama, o Cavalo...), o Bispo, presidente paraguaio Fernando Lugo, teria feito uma ligação e se comunicado diretamente com o sacerdote brasileiro.


Entrando em contato com a arquidiocese local, teria conseguido concluir a remoção do padre para assumir uma arquidiocese no Paraguai. Depois, já se fala em um acordo proposto pelo presidente paraguaio para, com ajuda do padre paraibano, incentivar a construção de escolas para meninas que desejam ingressar na vida religiosa. Com gosto.



* Fontes: Times New Romans e Comic Sans (12).

segunda-feira, 30 de março de 2009

Monoteísmo e sentido da vida



Vejo como sendo muito mais provável, no caso em que se prove a existência de forças acima da humana, que estas sejam organizadas de várias formas, que sejam vários deuses, ao invés de um só. Sim, pois que, já lembra Epicuro, "deus deseja impedir o mal, mas não pode? Então ele não é onipotente. Ele é capaz, mas não deseja? Então ele é malevolente. Ele tanto é capaz como deseja impedir? E por que há mal? Ele não é nem capaz nem deseja impedir? Então por que chamá-lo deus?". Que, então, fosse uma espécie de Câmara, um Congresso, uma Assembléia-Geral, em que todos os deuses sentassem em suas cadeiras confortáveis e discutissem, eternidade afora, o futuro da humanidade. Cada deus, por sua própria natureza de divindade, teria a faculdade de vetar uma proposta, idéia, ação com relação à humanidade e o universo; entretanto, com seus egos milenares, nenhum deixaria que uma proposta de outro fosse aceita, por não ser sua própria; o mecanismo decisório ficaria travado até o fim dos tempos e o universo estaria, portanto, à própria sorte. Uma espécie de céu democrático que não funciona.



A crença acima, prefiro tachá-la de saudável. Havia pensadores gregos se perguntando "não teriam sido os deuses apenas uma criação para legitimação do poder?". Sagaz, é preciso reconhecer, foi a junção de todos os deuses num só. É claro: o poder divino sendo federativo, dividido entre terra, submundo, água, céus..., fragmentado, pois, em várias partes, dava a faculdade do uso da liberdade (posso seguir a quem eu quiser dentre as várias opções), e, ao mesmo tempo, reduzia a fé a vários grupos (sacerdotes de um deus, seguidores de outro...); enquanto a suposta existência de apenas um congregava os mediadores e os fiéis, declarava posse de todo o universo, exercendo, assim, poder imperial. Já que só ele existe, não há escolha: ele deve ser obedecido; a submissão é imposta. Os mecanismos coercitivos já existiam, mas passam a ser exercidos por um poder unitário, monolítico: não há como escapar. A pergunta acima feita sobre legitimação cai especialmente bem neste momento - tudo passa a ser uma questão de exercício de vontade de dominação.


Nem tudo ia tão mal até quando o bispo de Hipona, também identificado por Agostinho, vê a necessidade de unificar e clarificar a doutrina da igreja. Se o pensamento anterior, grego, previa um modelo de temporalidade um ciclo infinito do cosmos, (e futuramente vai-se conceber a idéia de um eterno retorno), o filósofo cristão defende a noção de um tempo linear - há um começo e um fim. O começo fica estabelecido pelos contos da Mitologia, e o fim, embora não se saiba quando, haverá de chegar, como também previsto nessa Mitologia. O conceito de linearidade traz conseqüências de toda sorte até os dias de hoje; sem linearidade, não haveria conceito de evolução, que tanto atrasa os conhecimentos de Ciência e História. Tudo gira como se fosse a história de um homem só, constituída por eventos ímpares, e que possui um sentido e uma orientação. Ora, a pretensão do homem em sua magnânima tolice fê-lo crer ser algo perante o magnânimo (de fato) universo (conceito de responsabilidade histórica), frente ao qual sua mísera existência nada significa - existiu antes de dele, continuará existindo após ele. É de entender, não obstante, a procura por atribuir à linha histórica um sentido; ele parece cessar de existir quando é desvinculado do Eu, tendo que se vincular a outras estruturas ditas onipotentes: aí que são os deuses legitimados. Em templos de reflexão como os existentes na Índia e na China, encontram-se ocidentais peregrinando em busca do sentido da vida. Os indianos e os chineses, então, se perguntam: "e por que, se não o acharam lá, acreditam que vão encontrá-lo aqui?".



A vida humana é um fenômeno supervalorizado. Se, por um lado, de nada vale o ser humano, e sua existência não tem sentido ( tem a visão temporal limitada, distinguindo presente de passado e futuro, é incapaz de alterar a rota universal, é frágil ), a reconhecer que o homem é nada; por outro, o Eu é tudo, inclusive o próprio sentido, e tudo começa com o Eu. Não pode haver nada antes nem depois do Eu, apenas durante. A apreensão da História é falsa, a comprovação da Ciência nada comprova, todo o legitimamente confiável é apenas o conjunto de sentidos e sensações. Quando aparece a consciência do Eu, tudo surge a partir e emana dele; Ciência, História, Arte; aquilo que reconhecidamente é o Eu, aquilo que não parece ser (ainda que seja) e aquilo que o Eu aparenta desconhecer, os dois últimos se dando de forma latente. O sentido não está fora - quiçá não há sentido, mas, se há, haverá de ser encontrado no e pelo Eu. Reconhece outros deuses se quiseres, eles valem apenas para os homens; mas deixe que teu Eu seja senhor do teu destino; sê teu próprio deus.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Religião como capital político

A palavra “religião”, do latim, relaciona-se às idéias de pacto, aliança, laço, contrato, relação que deve nortear os elos entre deuses e homens, e, por isso mesmo, dos homens entre si. A religião, além desses aspectos, é um modo de se entender e ordenar o mundo, dando respostas mais satisfatórias que as incertezas da ciência e da filosofia. A linguagem religiosa é uma linguagem da relação, da ligação. Um idioma que busca o meio-termo, a possibilidade de salvar a todos e de sempre se poder ver algo bom. Atinge especialmente o povo destituído de tudo, incapaz de estabelecer uma comunicação com seus representantes legais, falar e ser ouvido. A experiência religiosa pode alcançar altos graus de complexidade. Nesses casos, faz-se necessário o surgimento de um organismo dotado de estrutura jurídica própria que defende, como instituição, os valores que adota, seus modos de pensar e suas autoridades. A sociedade religiosa que integra esse grupo poderá ser um exemplo de comunidade.

            O conceito de comunidade pode ser utilizado como um recurso instrumental ideológico e político que visa a produzir e reproduzir a reificação e um sistema moral. Quando se institui a idéia de comunidade a um conjunto de pessoas, presume-se que há um conjunto de crenças e valores diferentes dos demais e assumido por todos os membros desse conjunto, legitimando, com isso, um posicionamento político pela busca da realização desses interesses comuns. É a construção de uma idéia de nós. Considerando-se a existência de um nós e dos interesses comuns que defendem, surge a necessidade de uma atuação política de mediação entre indivíduo (que também é eleitor), comunidade e o fazer político, funcionando, pois, como uma espécie de ouvidor. Mas, para exercer tal papel, é requerido ao político o uso de enorme carisma. Esse carisma, entretanto, diferentemente dos demais tipos, é um carisma de função (ou de instituição), que tem caráter transmissível, estável, durável e independe das – embora possa ser complementada por – qualidades individuais do seu detentor. Cabe a ele, então, reproduzir a mensagem e as exigências da instituição que representa – nesse sentido, podendo ser visto como um funcionário.

            Reconheçamos, pois, o que leva um político a recorrer a essa alternativa, que o torna mais subordinado a certos parâmetros que o que o personalismo da política brasileira usual e informalmente estabelece. Para efetivamente chegar a ser eleito, é requerido de todo aspirante o capital político. Alguns o possuem de origem familiar – sucessores são criados entre os pares consangüíneos. Os que não, precisam buscar o capital político de outras formas, e constituí-lo numa comunidade é uma delas. Sendo um líder ou mesmo somente membro de uma comunidade religiosa, valer-se de discursos de cunho religioso – ou requerer, por esse meio, o apoio de seus semelhantes – é um método de que tem se mostrado surpreendentemente efetivo, ainda mais depois do reconhecimento por parte das instituições religiosas do seu potencial político se se convergisse uma organização nesse sentido. Lamentavelmente, algumas releituras fundamentalistas têm sido feitas de obras religiosas, e estas também conseguem movimentar certa força política. Ainda assim, desconsiderando a potencialidade da ideologia religiosa como falsas representação e motivação, a possibilidade de se pôr à frente um líder que represente um segmento é valorização do ideal democrático por tantos defendido.

            Os políticos que se valem desse sistema também têm em mente o funcionamento de um sistema de corrupção pós-moderno (porque joga no plano das imagens), que se baseia efetivamente na busca do poder pelo poder, num ciclo a se auto-alimentar.  Os que a praticam têm por finalidade (re)elegerem-se, precisando sempre serem competitivos no próximo pleito; reconhecem, igualmente, que os eleitores de hoje não formulam seu voto de maneira racionalista, pelo exame de propostas, e, sim, movidos pelo afeto. Sendo que é, de fato, legítimo o voto pelo afeto, porque o que se decide pelos votos são, essencialmente, valores, escolher um projeto individualista ou social ou, então, de fundamento religioso. A questão – percebida pelos políticos – reside no seqüestro desse afeto, o que mostra marcas profundas de uma dominação carismática.

quinta-feira, 27 de março de 2008

"Do pó vinhemos, do/ao pó voltaremos"

Se existisse um mundo metafísico, depois da vida terrena, onde os homens chegariam após ter alcançado sua complementação - a morte -, seria interessante, quem sabe até mesmo penoso (ao olhar humano) ver a decepção e a tristeza estampada nos rostos dos mesmos, ao saber que todas aquelas promessas foram mentiras absurdas e que esse "mundo do além" foi apenas uma forma de se iludirem durante todo o tempo e suprirem suas fraquezas mais incoscientes, dentre elas a necessidade de se prolongar em vida (uma forma de exercer seu narcisismo). Depois da tristeza primeira, cairiam lágrimas de tristeza misturadas à decepção de não encontrar tudo aquilo que sempre foram induzidos a acreditar (e depois de algum tempo, acreditavam independentemente - como já foi dito - para se satisfazerem); Após isso, a decepção iria cedendo lugar à revolta ou ao conformismo, dependendo da natureza do ser terreno, e então poderiam surgir grupos radicais e anárquicos ou pacifistas e liberais. Do segundo grupo nasceriam possíveis pregadores mais engajados, enquanto do primeiro, certamente surgiriam líderes com reinvidicações e motivos "justos" para protestarem (mais tarde, em nome de algo, ou Algo), e levarem seus "lacaios" à prosperidade.

Após tempos indeterminados, o mesmo mundo estaria à beira de um novo colapso, como a antiga vida terrrena. Alguns explicariam o fato de acordo com as pregações daquele grupo, que não foi devidamente escutado. Outros diriam que hereges e traidores dificultaram o objetivo (qual?). No final das contas, depois de algum tempo (como costuma acontecer aqui na Terra, orgulho e honra se misturariam), gerações entrariam em conflito e voltariam a viver no mesmo mundo mórbido de antes, sem perceberem. Suicidios seriam cometidos aos montes, na tentativa de se libertar desse mundo (com esperança em um outro melhor), mitos seriam criados para suprir as mesmas necessidades que se repetiriam, e esperariam mais épocas para poderem transcender a um admirável mundo novo, onde reinaria as profecias, a paz, "a igualdade, liberdade, fraternidade", como pregou alguma revolução aqui na Terra.

"Tudo o que era estável e sólido desmancha no ar; tudo o que era sagrado é profanado, e os homens são obrigados a encarar com olhos desiludidos seu lugar no mundo e suas relações recíprocas" (Marx).

sexta-feira, 21 de março de 2008

Uma Breve História da Religião - Parte III

Tudo começou há 2008 anos. Mais um judeu pobre, filho de um carpinteiro quebrado (que fazia bicos para sobreviver) e uma mulher (bem... elas não tinham profissão, além da prostituição).
33 anos depois, mais um judeu morre, como era comum na época, na cruz. Os romanos se divertem vendo um lunático profetizando reinos de alegria e paz ("mais um, meu caro césar").
A diferença estava na idéia genial que ele teve: usou uma oratória impressionante, além de mágicas (na época eram bastante novas) e truques aprendidos durante o tédio que passara no deserto, quando foi tomar um solzinho (e bater um papo com "Lord of the Lords"), e conquistou doze seguidores que fizeram tudo por ele.
Desde lá, a ingenuidade de uma doutrina vem sendo espalhada, e todos passaram a acreditar em coelhos mágicos que botam ovos, velhinhos vestidos de vermelho que deixam presentes para as crianças pobres e, além disso, pessoas saíram por aí imitando seu mestre: temos santos de "a" à "z", pra todo tipo de problema. Ah! Não podemos esquecer que também foram criadas igrejas em nome dele¹. Essas igrejas tinham o passatempo de queimar mulheres, extorquir a população e manter o poder supremo (no físico e no metafísico). Hoje, os cargos altos das igrejas "purificam" criancinhas, abençoam a reprodução e recriminam qualquer atitude que possa prejudicar o mundo e os filhos do nazareno (como uso de preservativos, pesquisas de células-tronco, leitura de livros perigosos - como "O Código Da Vinci" - etc).
Para terminar, domingo (três dias depois), ele ressuscitou e disse aos seus apóstolos que espalhassem todas essas historinhas, que podem ter certeza: "Tornará vossas almas grandiosas", e a poupança também, claro.
Pelo menos, espero poder comer chocolate depois de toda essa conversa fiada.

Lista de Nomes
  • Nazareno
  • Alfa e o Ômega
  • Rei dos Reis
  • Yeshua
  • Cordeiro de Deus
  • Jesus
  • Pão da Vida
  • Fiel e Verdadeiro
  • Filho do Homem
  • Estrela da manhã
  • Emanuel
  • O Messias
  • Filho de Deus

    (Subir)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Vitória do conhecimento sobre o mal radical

Para aquele que quiser tornar-se sábio, é de grande proveito ter tido durante certo tempo a concepção do homem fundamentalmente mau e corrupto: é falsa a concepção oposta, mas, durante épocas inteiras, foi ela que dominou e suas raízes se ramificaram até dentro de nós e de nosso mundo. Para nos compreeendermos, temos de compreendê-la; mas para depois subir mais alto, temos de superá-la. Reconhecemos então que não há pecados no sentido metafísico; mas que, no mesmo sentido, tampoucou há virtudes; que todo esse domínbio de idéias morais está oscilando constantemente, que há conceitos mais elevados e mais baixos do bom e do mau, do moral e do imoral. Aquele que não requer das coisas mais do que conhecê-las chega facilmente a viver em paz com sua alma e é quando muito por ingnorância, mas dificilmente por concupiscência que vai errar (ou pecar, como diz o mundo). Não vai querer mais excomungar e extirpar os apetites; mas o objetivo único que o domina inteiramente, de conhecer a todo momento tão bem quanto possível, vai lhe dar sangue-frio e vai apaziguar tudo o que há de selvagem em sua natureza. Além disso, desembaraçou-se de uma multidão de idéias torturantes, já não se impressiona mais com as palavras sobre as penas do inferno, sobre o estado de pecado, sobre a incapacidade para o bem: apenas reconhece nisso as sombras evanescentes de concepções de mundo e de vida, que são falsas.

(Nietzsche, F., Humano, Demasiado Humano, Ed. Escala)

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Igreja ‘John Coltrane’ funciona há 25 anos em São Francisco

Saxofonista é o santo padroeiro da St. John Will-I-Am Coltrane African. Culto de domingo à tarde se divide em jam session e encontro espiritual.

Ao lado do altar da igreja na rua Fillmore, em São Francisco, há um órgão, dois contrabaixos, uma bateria e três microfones. O hinário, ou livro de músicas, encontra-se aberto em uma peça de título "Blues for Bechet". Pendurado na parede lateral, um ícone do santo padroeiro da congregação, com um halo dourado em volta da cabeça e segurando um sax tenor com um brilho emanando da campana.

Sendo esta a casa do jazz e de Deus, o culto do domingo de manhã começa, na verdade, no domingo à tarde, o equivalente a madrugar para qualquer músico que fez três shows no sábado à noite. Clérigos, diáconos e coroinhas aparecem, liderados por um homem alto e magro com um sax tenor bamboleando pendurado por uma tira presa em volta da gola padre. Ele é o arcebispo Franzo Wayne King, fundador e pastor desta comunidade de fiéis, a igreja ortodoxa St. John Will-I-Am Coltrane African.

Durante as três horas seguintes, o culto se divide em jam session e encontro espiritual. A liturgia cristã tradicional, incluindo o Pai Nosso e as leituras de um evangelho e uma epístola, discorre em meio a uma série de performances intensas, quase mágicas, de composições de Coltrane. "Você é aquilo que você escuta", diz King em seu sermão. "Quando você escuta John Coltrane, você se torna um discípulo do sagrado."

A igreja de Coltrane não é um engodo publicitário nem uma mistura forçada de música de nightclub e fé etérea. Sua mensagem de libertação por meio do som divino é, na verdade, bastante coerente com a experiência e a mensagem do próprio Coltrane.

Durante uma vida criativa ao extremo e finda precocemente aos 41 anos, Coltrane produziu um conjunto de performances e composições que se mantiveram como profunda influência entre músicos e ouvintes de jazz, assim como dos entusiastas do rock experimental. Hoje, 40 anos após sua morte, ele permanece como presença consolidada no cânone da música norte-americana.

Coltrane também incorporou uma figura religiosa. Viciado em heroína na década de 50, cortou o vício de uma vez e completamente, e mais tarde explicou que havia escutado a voz de Deus durante sua angustiante fase inicial de abstenção. Em 1964, gravou o álbum "A love supreme", com canções originais de louvor em estilo free-jazz.

Estudando as religiões orientais, além do cristianismo, passou a lançar músicas religiosas mais de vanguarda em "Ascension", "Om" e "Meditations". Em 1966, um repórter no Japão perguntou a Coltrane o que ele esperava ser dali a cinco anos, ao que o músico respondeu: "Um santo."

'Jesus Cristo negro'
Assim sendo, Franzo Wayne King foi a pessoa que levou Coltrane ao pé da letra. Isso aconteceu a partir do momento em que conheceu a gravação de "My favorite things" e começou a se aprofundar e apreciar o trabalho mais antigo de Coltrane na banda de Miles Davis.

Pouco depois da morte de Coltrane, King criou uma pequena congregação chamada Yardbird Temple, em alusão ao apelido de outra fera do jazz, Charlie Parker, o Bird. Naquela altura, os fiéis cultuavam Coltrane como a encarnação terrena de Deus, ao mesmo tempo considerando Parker como um equivalente a João Batista.

Essa teologia, é claro, posicionou King e seu rebanho fora dos limites do cristianismo. Ele retornou a essa esfera no início dos anos 80, quando conheceu o arcebispo da Igreja Ortodoxa Africana, cujos adeptos cultuam um Jesus Cristo negro. King fez a concessão necessária para se tornar um membro. "Rebaixamos Coltrane do posto de Deus", diz. "Mas o acordo foi que ele poderia ficar na qualidade de santo e ser o padroeiro de nossa igreja."

É assim que a igreja St. John Will-I-Am Coltrane funciona há vinte e cinco anos. A esposa e os filhos de King participam dos cultos como "ministros musicais" e já tocaram em diversos festivais europeus de jazz. E os freqüentadores da igreja, ao longo dos anos, passaram a incluir no repertório a viúva de Coltrane, Alice Coltrane, e o guitarrista de rock que também bebeu nas fontes do jazz Carlos Santana.

Fonte:G1





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Para quem quiser baixar álbuns, vai aqui um link do blog amigo, Jazzman (http://jazzmanmp3.blogspot.com)

2001 - The Best of Miles Davis & John Coltrane: 1955-1961
1965 - Ascension
1964 - A Love Supreme
1963 - John Coltrane And Johnny Hartman
1962 - Duke Ellington & John Coltrane
1960 - Coltrane Plays the Blues
1959 - Bags and Trane
1959 - Giant Step
1958 - Lush Life - John coltrane
1957 - John Coltrane - Blue Train

Thelonious Monk Quartet with John Coltrane - At Carnegie Hall - 2005 / Recording Date: 1957


http://jazzmanmp3.blogspot.com/search/label/John%20Coltrane

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Uma Breve História da Religião - Parte II

Depois de abordar de modo geral as culturas que deram origem às diversas religiões, abordaremos individualmente as principais religiões atuais:

1) Judaísmo

Moisés segurando a Tábua das Leis


Das grandes religiões monoteístas existentes no mundo, o judaísmo é a de raízes mais antigas. De seu seio surgiu o cristianismo, enquanto o islamismo adotou vários elementos judaicos e reconheceu Abraão e Moisés como profetas.
Judaísmo é, em sentido restrito, a religião dos antigos hebreus, hoje chamados judeus ou israelitas, e, num sentido mais amplo, compreende todo o acervo não só de crenças religiosas, como também de costumes, cultura e estilo de vida dessa comunidade étnica, mantido com constância e flexibilidade ao longo das vicissitudes de cerca de quarenta séculos de existência.

1.1 ) História dos judeus

A Bíblia é a referência para entendermos a história deste povo. De acordo com as escrituras sagradas, por volta de 1800 AC, Abraão recebeu uma sinal de Deus para abandonar o politeísmo e para viver em Canaã (atual Palestina). Isaque, filho de Abraão, tem um filho chamado Jacó. Este luta , num certo dia, com um anjo de Deus e tem seu nome mudado para Israel. Os doze filhos de Jacó dão origem as doze tribos que formavam o povo judeu. Por volta de 1700 AC, o povo judeu migra para o Egito, porém são escravizados pelos faraós por aproximadamente 400 anos. A libertação do povo judeu ocorre por volta de 1300 AC. A fuga do Egito foi comandada por Moisés, que recebe as tábuas dos Dez Mandamentos no monte Sinai. Durante 40 anos ficam peregrinando pelo deserto, até receber um sinal de Deus para voltarem para a terra prometida, Canaã.
Jerusalém é transformada num centro religioso pelo rei Davi.

Após o reinado de Salomão, filho de Davi, as tribos dividem-se em dois reinos : Reino de Israel e Reino de Judá. Neste momento de separação, aparece a crença da vinda de um messias que iria juntar o povo de Israel e restaurar o poder de Deus sobre o mundo.

Em 721 começa a diáspora judaica com a invasão babilônica. O imperador da Babilônia após invadir o reino de Israel, destrói o templo de Jerusalém e deporta grande parte da população judaica.

No século I, os romanos invadem a Palestina e destroem o templo de Jerusalém. No século seguinte, destroem a cidade de Jerusalém, provocando a segunda diáspora judaica. Após estes episódios, os judeus espalham-se pelo mundo, mantendo a cultura e a religião. Em 1948, o povo judeu retoma o caráter de unidade após a criação do estado de Israel.

1.2) Subdivisões

Judaísmo Conservador

Esta corrente defende a idéia de que o Judaísmo resulta do desenvolvimento da cultura de um povo que podia assimilar as influências de outras civilizações, sem, no entanto, perder suas características próprias. Assim, o Judaísmo Conservador não admite modificações profundas na essência de suas liturgias e crenças, mas permite a adaptação de alguns hábitos, conforme a necessidade do fiel.

Judaísmo Ortodoxo

Corrente que se caracteriza pela observação rigorosa dos costumes e rituais em sua forma mais tradicional, segundo as regras estabelecidas pelas leis escritas e na forma oral. É a mais radical das vertentes judaicas.

Judaísmo Reformista

O Movimento Reformista defende a introdução de novos conceitos e idéias nas práticas judaicas, com o objetivo de adaptá-las ao momento atual. Para esta corrente, a missão do judeu é espiritualizar o gênero humano - a partir deste ponto de vista, torna-se obsoleto qualquer preceito que vise separar o judeu de seu próximo, independentemente de crença ou nação.


1.3) Símbolos do Judaísmo

- O Muro das Lamentações – em Jerusalém, é o que resta do templo de Herodes, destruído pelos romanos no ano 70 d.C. Aqui os hebreus vêm rezar. É o único lugar sagrado de todo o Judaísmo.

- O Candelabro dos sete braços – A "Menorah" é o símbolo do Judaísmo. O 7 é para os Judeus o número da plenitude, da perfeição.
- A Sinagoga – É o lugar de oração, de estudo e de reunião.
- O Rabino – Os hebreus não têm sacerdotes. O Rabino é só um mestre, um guia espiritual para os fiéis na interpretação da Bíblia.
- O Sábado – É o dia semanal festivo dos judeus. Começa ao pôr-do-sol de Sexta-feira e vai até ao pôr-do-sol de Sábado. É um dia dedicado à oração e ao descanso.

1.4) As festas

- O dia do perdão – «Yom Kippur
» – festa de jejum e de expiação. Cada judeu deve estender ao seu inimigo a mão da reconciliação, esquecendo as ofensas e pedindo desculpas.
- A festa da Páscoa – «Pessah» – recorda a saída do povo hebraico do Egipto, guiado por Moisés. Prolonga-se por oito dias.
- A festa do Pentecostes – «Shavuot» – recorda a Dom da Torá (Dez Mandamentos), dada por Deus a Moisés, no monte Sinai.

1.5 ) Crenças

Conceitos de vida e morte: O entendimento dos conceitos de corpo, alma e espírito no judaísmo varia conforme as épocas e as diversas seitas judaicas. O Tanakh não faz uma distinção teológica destes, usando o termo que geralmente é traduzido como alma (néfesh) para se referir à vida e o termo geralmente traduzido como espírito (ruach) para se referir à fôlego. Deste modo, as interpretações dos diversos grupos são muitas vezes conflitantes, e muitos estudiosos preferem não discorrer sobre o tema.

Ressurreição e a vida além-morte: O Tanach, excetuando alguns pontos poéticos e controversos, jamais faz referência à uma vida além da morte, nem à um céu ou inferno, pelo que os saduceus posteriormente rejeitavam estas doutrinas. Porém após o exílio em Babilônia, os judeus assimilaram as doutrinas da imortalidade da alma, da ressurreição e do juízo final, e constituiam em importante ensino por parte dos fariseus.

Nas atuais correntes do judaísmo, as afirmações sobre o que acontece após a morte são postulados e não afirmações, e varia-se a interpretação dada ao que ocorre na morte e se existe ou não ressurreição. A maioria das correntes crê em uma ressurreição no mundo vindouro (Olam Habá), incluindo os caraítas, enquanto outra parcela do judaísmo crê na reencarnação, e o sentido do que seja ressurreição ou reencarnação varia de acordo com a ramificação.

Deus: Deus é o Criador. Eterno, omnisciente, omnipotente, infinito e incorpóreo. Deus não tem género no sentido humano do termo, o pronome masculino é-Lhe atribuído apenas por convenção. Deus é único. Deus é um e não composto por diferentes personalidades.

O Bem e o Mal: Deus é o Criador de todas as coisas. O judaísmo não tem o conceito de Diabo. Enquanto em hebraico existe a palavra satan, e ela de facto é mencionada várias vezes na Bíblia Hebraica, o seu significado é completamente diferente do atribuído pelos cristãos – em hebraico satan quer dizer oponente, referido por regra no contexto da luta interior individual entre dois opostos. O “Mal” é produto exclusivo das acções, individuais e colectivas, do Homem, assumindo-se como o resultado de um processo cósmico de “causa e efeito” equiparável às teorias da física newtoniana.

Messias: A palavra hebraica moshiach (משיח - messias) não tem a mesma conotação que lhe é atribuida pelo cristianismo. No judaismo não existem homens-deus, semideuses ou filhos literais de Deus. Uma pessoa não pode tomar ou absolver os pecados de outra. Os judeus não estão à espera da vinda de alguém. O Futuro chegará através das acções do conjunto da Humanidade. Um dos sinais contidos na Bíblia Hebraica para a chegada da era messiânica é a paz universal.

Povo Eleito: A Bíblia Hebraica (Antigo Testamento) refere-se poucas vezes aos judeus como “o povo eleito”, mas a expressão tem sido destorcida ao ponto de se fazer crer que os judeus se julgam intrinsecamente superiores aos não-judeus. Esta leitura é completamente falsa. Os judeus são “escolhidos” apenas enquanto portadores da Mensagem (Instrução), e seus guardiões através dos séculos. Não existe qualquer sentimento de superioridade ou inferioridade implicita.

Sacrifício e Expiação: O sacrifício não é necessário para a expiação. O propósito do sacrifício é expressar o sentimento de afinidade pessoal para com o Criador. Na ausência do sacrifício, o mesmo sentimento pode ser expresso através da oração (meditação) e correcção dos erros cometidos.

Dez Mandamentos: Os conhecidos “Dez Mandamentos” são apenas uma parte da Instrução, ainda que importante. A palavra hebraica usada significa literalmente “declaração” (“dez declarações”). No judaísmo, em vez de apenas dez, existem 613 mandamentos (mitzvot).

A Torá ou Pentateuco – De acordo com os judeus, é considerado o livro sagrado que foi revelado diretamente por Deus. Fazem parte da Torá : Gênesis, o Êxodo, o Levítico, os Números e o Deuteronômio. O Talmude é o livro que reúne muitas tradições orais e é dividido em quatro livros: Mishnah, Targumin, Midrashim e Comentários.


quinta-feira, 19 de julho de 2007

Uma Breve História da Religião - Parte I

Etimologia:
Embora seja bastante controverso, o termo religião pode ser interpretado, do latim, re (novamente) + ligare (se ligar) como uma forma de unir a relação entre o homem e deus.
Tornando a religião, essencialmente, culto de um para outro.

Definição:
Segundo o Aurélio:
  • 1. Crença na existência de força ou forças sobrenaturais;
  • 2. Manifestação de tal crença pela doutrina e ritual próprios;
  • 3. Devoção;
Disso partimos em busca do conceito de crença, e encontramos algo intimamente ligado à fé. Essa última que pode ser interpretada como uma resposta de forma “inocente” àquilo que nos é superior, sobrenatural ou inexplicável (mesmo que apenas um intervalo de tempo). A crença por si é uma resposta sistematizada da fé. Onde são feitas, metodicamente, as atribuições, origens e explicações (Mitos, do grego mythos = fábulas; geralmente explicações atribuídas aos deuses, sendo esses seres ativos que definiam o destino da vida na terra) para as respostas metafísicas e existencialistas, empregadas por qualquer massa cinzenta, quando se depara com algo que lhe quebra a habitualidade dos acontecimentos (um milagre, por exemplo). Partindo da premissa que a religião é baseada na crença, a própria pode ser tomada como a imposição e aceitação de dogmas, “doutrina e ritual próprios”.
Porém, o estudo da religião, é em primeiro lugar, uma filosofia engajada no questionamento crítico, a fim de estabelecer uma tese, baseado em provas efetivas, que assemelham-se às respostas especulativas à cerca do mundo e suas origens para melhor ser aceito pelos seus adeptos. Muito embora, na maioria das vezes esse estudo seja colocado de lado (e retomado pelos filósofos). Sobra então aos religiosos, seguir com o “único” objetivo da dita religião: a doutrinação.Os muçulmanos consideram a Caaba, ao centro da grande mesquita de Meca, o lugar mais sagrado da Terra

Pregação:
Seguindo o raciocínio, quando a religião deixa de lado o questionamento à cerca de uma verdade, e passa a propagar apenas idéias já feitas e fundamentadas nos seus próprios dogmas, essa vai ganhando força na sua essência, que é a devoção em cima da fé.
Quando se é aceito uma premissa, vinda de um pregador, ou doutrinador, como verdadeira, e se é convertido, nomear-se-á como prosélito (do grego prosélitos = aderente; ato que consiste em conquistar aderentes à doutrina). Como já foi dito, a religião, como um grupo de dogmas, geralmente se torna tema somente de doutrinação e proselitismo.
“O doutrinador, que faz proselitismo, não mais se propõe a rever sua posição; convencido de uma doutrina, a propaga, com vistas a obter prosélitos. Ele interpreta a si mesmo como apóstolo de uma verdade. Quando pesquisa apenas procura novas provas para esta sua verdade. Quando discute, não mais busca a verdade, mas quer apenas refutar seus adversários.” (Enciclopédia Simpozio)
Com isso, temos a origens das pregações em massa, quando essa aceita as palavras do apóstolo como verdadeiras, sem se questionar, uma vez que a massa não tem erudição suficiente. Logo um pregador estuda a retórica (podemos comparar a religião à política, nesse aspecto), treina a demagogia, “procura novas provas para esta sua verdade” a fim de persuadir seus ouvintes, e impondo seus dogmas como verdadeiros, ganha a adoração dos mesmos.
Porém, quando se prega às massas e quebra-se a liberdade de consciência, esses tornar-se-ão fanáticos e passarão a condenar todas as outras doutrinas. Afinal, "Não é possível convencer um crente de coisa alguma, pois suas crenças não se baseiam em evidências, baseiam-se numa profunda necessidade de acreditar” (Carl Sagan)


Origem:
A necessidade de explicar fenômenos (como o ciclo do sol, da lua e dos astros) é tão antiga quanto a humanidade e isso nos levou a diversas especulações que foram negadas e aceitas com o passar do tempo. Entre essas especulações foram surgindo grandes casualidades que observadas sempre após um determinado evento iam sendo tidas como verdadeiras (como um trovão seguido do relâmpago). Muito embora alguns fossem corretamente relacionados, a maioria não seguia uma explicação lógica (pensamentos pré-lógicos, ou seja, instintivos). Nascem as superstições.
“A religião do homem primitivo encontra-se cheia de superstições, cuja origem poderá ter sido a falsa observação de relações de causa e efeito. Quer porque uma coisa venha depois da outra, quer simultaneamente quando um fato acontece, a relação é fixada como sendo efetiva.” (Enciclopédia Simpozio)
Dessas “explicações” também derivam uma outra classe de pensamento adotado pelas religiões: os mitos. Base do folclore, das tradições e cultura de um povo.
Com o passar do tempo, a necessidade de controle da sociedade cresceu bastante, e a hierarquia foi se fortalecendo até que os mais altos postos de poder foram ocupados por pessoas tidas como intermediários entre os deuses e a Terra (podemos ver isso nos faraós, nos sacerdotes dos templos gregos – que decidiam o destino da população), e influenciavam fortemente toda a cultura local, com ordens de sacrifícios, rituais, e com isso estruturavam as organizações sociais, econômicas e políticas. Nesse estado, a pregação foi aumentando exponencialmente.
“A religião é vista pelas pessoas comuns como verdadeira, pelos inteligentes como falsa, e pelos governantes como útil.” (Sêneca)

Histórico:
As principais religiões do mundo contemporâneo tiveram suas origens na Idade Antiga, baseada quase que toda vez, no folclore local. Por isso, abordaremos um rápido resumo dos principais povos:

  • 1) Povos Indo-Europeus: Os indo-europeus, que há cerca de 4 mil anos começaram a migrar e a ocupar as mais diversas regiões da Ásia (povos Indos-Arianos – Iranianos (Irã) e indos-arianos (Índia) –, Hititas, Tocarianos) e da Europa (demais povos, como: baltos-eslavos, celtas, itálicos, gregos, germânicos), podem ser considerados como originários das principais culturas posteriores. Estes, todavia, nunca formaram uma unidade sólida, uma raça, um império organizado e nem mesmo uma civilização material comum. A única coisa em comum desses grupos seria a unidade lingüística e a unidade religiosa. Unidade esta que pode ser visualizada como uma semelhança presente nas religiões posteriores. Por hora, podemos citar os exemplos: o aspecto dos mitos (lutas dos deuses contras as forças do caos), a história narrada em forma cíclica, e a crença em diversos deuses (politeísmo).
  • 2) Povos Semitas:Os semitas originários da península arábica, também se expandiram em diversos locais do mundo, levando consigo a cultura local.Embora alguns povos de origem semítica tenham adotado a crença politeísta, os principais (que são a raiz das grandes religiões monoteístas) adotaram um único deus (monoteísmo), característica que difere bastante dos indo-europeus. De origem semítica temos os seguintes povos: árabes, egípcios, hebraicos, acadianos, fenícios, aramaicos. Os hebreus, caracterizavam-se por definir a história de uma forma linear e ter o deus como ser criador de tudo, responsável pela vida. A origem semítica pode ser interpretada a partir da bíblia, no gêneses, com a linhagem dos descendentes de Sem, filho de Noé.

Depois de fazer essa pequena distinção desses dois povos, poderemos partir pra uma classificação regional e então falar resumidamente de cada religião em si.