quarta-feira, 4 de março de 2009

J' Accuse!


Contar-lhes-ei um caso de anti-semitismo que precede um pouco o nazismo. Ocorre acerca de um oficial militar francês chamado Alfred Dreyfus, promissor em sua carreira, graduado na École Polytechnique e na École Supérieure de Guerre. Tinha acesso aos lucros de uma fábrica de produtos têxteis cujo sucesso crescia bastante, parte de sua família era germânica e esta decidiu nacionalizar-se como francesa após a guerra franco-prussiana. Vivera em Paris a partir dos 12 anos. Mas, apesar de tal vida, Dreyfus tinha algo que chegaria a causar um escândalo político absurdo. Era judeu.

Na França, durante a terceira República Francesa, campanhas políticas embasadas em um nacionalismo francês exacerbado tinham algumas idéias anti-semitas e idealizavam a formação de uma unida França católica. Nesse contexto, em 15 de outubro de 1894, Dreyfus é preso sob a acusação de ter entregue informações aos alemães pela embaixada alemã em Paris. A prova, de acordo com o julgamento, estava na carta achada na cesta de lixo do adido militar alemão da embaixada. Condenado como traidor, Dreyfus é mandado à prisão perpétua na Ilha do Diabo, localizado na costa da Guiana Francesa.

Eis a verdade. A carta fora escrita por um oficial chamado Charles-Ferdinand Walsin Esterhazy, que, de fato, estava entregando informações importantes aos alemães sobre a artilharia do exército francês. Sua letra era praticamente ilegível e possuía inúmeros erros de gramática, o que tornava suspeito a condenação de um oficial como Dreyfus que escrevia tão bem. Dada essa e outras evidências, um segundo julgamento foi realizado mas, mesmo assim, Dreyfus continou a ser um presidiário.

Ocorre, a partir de então, o estopim para um escândalo político. Tornado o caso conhecido popularmente através da carta aberta, intitulada J'accuse!, ao Presidente da República Félix Faure , a França foi dividida em aqueles que apoiavam a libertação de Dreyfus (os dreyfusards), incluindo entre estes Émile Zola (personagem importante do Naturalismo na França), o qual expôs o caso ao público; e aqueles que exigiam a continuação de Dreyfus na Ilha do Diabo, formado por uma camada popular aderente ao anti-semitismo e à política de uma nação católica. Algumas ruas tiveram, como paisagem, verdadeiros pogroms.

Em 1906 foi feita uma revisão do caso e Dreyfus finalmente adquire sua liberdade para, em 1907, pedir demissão. Participou ainda na primeira Guerra Mundial e morreu em 1935. Posteriormente, em uma evidência publicada por um historiador militar francês chamado Jean Doise, aceitou-se como possibilidade o fato de que a 'contra inteligência' militar francesa havia utilizado Dreyfus como cobaia para enganar a espionagem alemã. Zola morrera, desde 1902, por razões misteriosas, encontrado asfixiado em seu apartamento. Charles Ferdinand instalara-se, a partir de 1903, na Inglaterra, desfrutando da boa vida enquanto contemplava e imaginava sua participação no processo. Charles fora anti-dreyfusard até o fim.

2 comentários:

Matteo Ciacchi disse...

HMMMM então esse foi o caso Dreyfus que eu já ouvi falar tanto e não lembrei de procurar

Kondlike disse...

Neuromancer interpretou um malkaviano que achava que era esse cara em uma campanha de vampiro, uaehueahueahuaeh.