sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Função

Pelo que minha experiência pôde me mostrar, há três momentos para o coração. Não que você não o tenha em outros; apenas que nestes fica realmente evidente. Algo o mantém vivo, e a primeira vez é ainda criança, quando alguém diz - e comprova através de uma figura colorida - que aquela coisa bate dentro de você. Espantado, põe a mão no peito e sente as cores. A segunda, tempo e acaso trazem. É quando você encosta em alguém - e só poderia ser nessa pessoa - e, a repousar, sente-o batendo. Não seria o seu, mas sente-se como se fosse, já que cumpre a mesma função: bater por você. Ébrio, põe a mão no peito e sente o calor. A terceira das vezes somente o tempo traz. É quando você não precisa mais levar a mão ao peito para sentir que os dois primeiros momentos foram grandes demais, e o que há agora é o seco. Atesto - já vivi os três instantes; já posso bem saber que não me resta muito. Entretanto, há algo a reconhecer, sem lamentos. Nesse tempo todo, sem contratempos, ele bateu, a cumprir sua função. E sou-lhegrato por ter possibilitado, às vezes, mais intensidade.

Um comentário:

Neuromancer disse...

Cumpre a sua função e atende às exigências. Dotado de regras impostas - por ele mesmo - para sua própria sobrevivência, chega a ser paradoxal que pertença ao ser humano.